Música em RPG

Fazendo o primeiro Confrariacast, o podcast da Confraria de Arton, me deparei com um problema bem banal – usar ou não música de fundo no podcast e, se sim, qual usar? Algo bem sem importância para muitos, até mesmo desnecessário para tantos outros. Depois de algum tempo pensando nisso comecei a pensar no uso de música de fundo em seções de RPG, algo sobre o que já escrevi algumas vezes na Confraria. Mas desta vez eu estava olhando por outro ponto de vista.

Usar música para dar um maior ‘clima’ à seção de RPG é muito interessante e de resultado garantido. Uma música de fundo, para quebrar o silêncio, é uma forma simples de deixar a atenção do grupo presa ao jogo. O imaginário vai muito mais longe e quase sempre podemos ver o grupo até mesmo interpretando melhor. Uma boa narração, um texto bem trabalhado, uma música perfeita e os jogadores poderão até mesmo sentir o cheiro da floresta pela qual estão passando ou sentir as gotas da chuva em meio à batalha.
Mas o que pode ser uma iniciativa sem erro, também pode ser um perigo. Por que digo isso?
Voltando ao caso do podcast. Eu gosto de escutar os mais variados podcast dos mais variados blogs e sites – sobre RPG ou não. É uma forma muito divertida de aprendermos. Nos casos dos podcasts cujo o tema é RPG nós temos uma constante (não vou dizer que seja em cem por cento dos casos, mas na grande maioria). As músicas de fundo inevitavelmente são aqueles metais num dito estilo ‘medieval’ (estilo que eu realmente não entendo o que quer dizer). Pois bem, é um estilo que eu adoro escutar. Não pensem que estou falando, ou o que irei falar, é por não gostar do estilo de música… muito pelo contrário.
Mal o podcast inicia e as guitarras rasgadas começam a entoar seus rifs, seguidos de uma bateria com cadência militar e um coro cheio de vozes comuns para dar uma impressão de algo mais real, de fundo ainda surge uma orquestra sinfônica (nada menos do que isso) criando um clima de cinema. Como disse, algo que adoro. Daí começo a lembrar jogos que já assisti e comentários que já vi em outros blogs, sobre o tema, e me recordo que em todos os casos é o mesmo estilo de música que impera.
É normal que este estilo de música seja uma constante. O perfil dos jogadores de RPG é muito semelhante em muitos aspectos, e não poderia ser diferente no que diz respeito à música. Então, também é entendível que o mesmo estilo de música predomine nas mesas de RPG.
Quando idealizamos, preparamos e realizamos um jogo de RPG, fazemos tudo com o maior cuidado para que a diversão seja garantida – pelo menos eu, como mestre, gosto de fazer. Ao mesmo tempo, muitos mestres e grupos têm o interesse de que o realismo e a ambientação esteja perto da perfeição. Daí colocam este estilo de música para ‘aumentar’ a ambientação. Lembram quando eu disse, ali em cima, sobre os perigos? Pois é, este é um deles.
Antes de me amaldiçoarem deixem eu explicar. Isto é um erro se o grupo realmente procura por realismo e uma maior atenção ao jogo por parte dos jogadores. Vamos por partes… O erro é que a atenção dos jogadores realmente é tirada por este tipo de música pelo simples fato de que por cair no agrado de todos faz com que os jogadores cantarolem, comentem, pensem sobre a música. Não que isto seja proibido numa seção… muito pelo contrário, mas se a vontade do mestre ou a função da música seria de prender mais a atenção pelo realismo criado, isso não dará certo. Aqui entramos no segundo comentário.
A função de uma música de fundo, por mais influência que ela traga ao realismo de uma seção de jogo, é servir como parte do conjunto. Quando colocamos uma música de gosto garantido por todos os participantes, ela passa a ser a protagonista da seção, e não é isso que desejamos. Além de que, realismo por realismo, este tipo de música não se encaixa tão bem assim, sendo muito mais aconselhável músicas instrumentais ou numa linguagem própria ao que desejamos, como a céltica. A música deve juntar-se à narração do mestre, a emoção do momento e à imaginação dos jogadores e formar o visual do cenário que desejamos.
Vejam os exemplos abaixo. Coloquei frente a frente os fragmentos de algumas músicas. Os primeiros dois fragmentos são de músicas usadas constantemente em seções de RPG. Os dois fragmentos seguintes são de músicas que considero próprias para ambientações.
As primeiras, as do metal ‘medieval’ destoam muito do que poderia ser uma música apropriada para uma seção de jogo. Elas são das bandas Rhapsody e Stratovarius. Já os outros dois fragmentos e encaixam muito mais numa boa ambientação, principalmente para jogo de fantasia de RPG, por se sobressaírem menos. Aqui a beleza está no conjunto. Neste segundo grupo de fragmentos temos Vox Vulgaris e uma música que descobri por acaso. Embora de estilo bem diferentes, e para situações bem diferentes, o resultado é gritante.
Embora muitos possam não concordar comigo, o RPG demanda conhecimento, esforço e dedicação. Lógico que somos brindados com uma diversão quase inigualável (superado apenas por chocolate e coca-cola). Mas para isso temos de pesquisar. E músicas para serem usadas em nossas seções também precisam do mesmo esforço.
Esse post foi publicado em Colaboração da Confraria, Dicas, João Eugênio, Músicas, RPG. Bookmark o link permanente.

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